Por que empilhar pedrinhas?

Há muito tempo, quando fui para a China pela primeira vez com uma amiga para estudar a mãe de todas as massagens terapêuticas, An Mo, ela havia lido o livro, “A arte da peregrinação” de Phil Cousineau (1999), e nele há uma passagem que diz lalgo como: ao visitar um lugar, o viajante deve levar um presente e ao voltar deve deixar algo de si.

Desde então, em minhas viagens tento levar o melhor de mim como contribuição e ao sair deixo essas pequenas esculturas de pedras empilhadas, que são uma pequena parte de mim, como um agradecimento pela receptividade e aprendizagem daquele lugar.

Pode parecer fácil, uma brincadeira, mas por trás dessas pequenas esculturas há um significado profundo: é necessário fazer escolhas, tomar decisões e ações. Cada uma dessas ações sempre envolve uma perda, afinal nem todas as pedrinhas se amontoam perfeitamente, elas balançam, desequilibram e caem.

Então, qual o ponto de equilíbrio para que tudo não desmorone?

Bom, como na vida nem tudo é perfeito, às vezes é crucial deixar o ideal de lado e seguir. Ainda mais atualmente, com tantas possibilidades que dificultam a decisão, onde é possível encontrar o ponto de sustentação? Não há uma resposta ideal para isso, confesso que estou sempre a procura e aprendi que contar comigo, com minha história, com o aprendizado de meus limites e capacidades é um bom começo. E mais, quando sou eu quem decide, mesmo que não seja a melhor escolha, sinto a liberdade de deixar ir todas as outras promessas e seguir olhando para o que dá sentido na minha vida e aguentar o tranco. É assim que sigo, quando monto minhas pequenas esculturas de pedrinhas descubro que encontrei algumas pedras que se encaixam em minha vida, como a minha família, os meus amigos, o cuidado comigo mesma, meu trabalho. Também aprendi que não existem pedras perfeitas, e muitas vezes, antes mesmo de seguir meu caminho, uma das pedrinhas rola e a coisa toda despenca, com paciência, perseverança e criatividade, posso voltar e recomeçar tudo de novo. Senão durou o tempo que durou, é assim que a vida acontece, não é verdade?