O corpo que temos que ser…

Meu corpo é o caminho trilhado por um modo de ser que é só meu, com minhas narrativas, meu jeito de movimentar, meus gestos, meu tom de voz, meu humor.

Mas ainda, é preciso o outro para narrar, para existir no mundo, por isso, o modo como me relaciono comigo, com os outros e com as coisas é também meu corpo, que diz respeito aos significados e sentidos que dou à minha existência. Não se vive só!

Corpo que afina e desafina conforme a música da vida e que impacta nas decisões e transformações do meu Ser.

Já deu pra perceber que o corpo que estou falando é diferente do corpo como organismo, aquele que é formado por vários órgãos e sistemas. Falo daquele que temos que ser num mundo que vai acontecendo no desenrolar da minha história, um o corpo que traz em si as marcas da vida social que expressa valores de grupos e culturas, que inclui emoções, sentimentos, sensações de prazer e desprazer, assim como as transformações ocorridas ao longo do tempo. Corpo que afina e desafina, conforme a música da vida e que impacta nas decisões e transformações do meu Ser.

Não tenho como adivinhar o que vai acontecer ao longo da vida, mas à medida que deixo mais claro para mim quais são meus limites e capacidades, onde sinto-me preso e limitado e onde posso usar minha liberdade para ser o que pretendo, minhas escolhas passam a ser mais responsáveis – não há mais a minha culpa, do fulano ou de cicrano. Sou eu quem passo a ser responsável por meu ter de ser a cada vez, a cada situação e assim, mais do que problemas difíceis de resolver, a compreensão de quem sou, finalmente me liberta para uma existência em que me integro à realidade, onde as contradições se amenizam, a serenidade é mais duradoura e a perspectiva de bem-estar se apresenta.

Por muitos anos trabalhei com massagem terapêutica e posso dizer que ao tocar o corpo físico liberava muito mais do que só o corpo orgânico, aquele de pele, ossos e vísceras; sensibilizava esse corpo que tenho que ser, com todas suas vicissitudes e aprendi que existem muitos jeitos de cuidar do desequilíbrio, do stress, da ansiedade, da doença e do cansaço. Um momento de bem-estar pode estar: numa massagem que relaxa, energiza, equilibra; numa caminhada que acalma e clareia as ideias; num alongamento que abre espaços; numa respiração profunda que libera a sensação de sufoco; numa meditação que ajuda nos insights.

Enfim, existem centenas de caminhos a serem experimentados para encontrar harmonia: Qual poderia ser o seu? 

Um abraço, Egle Gatta (CRP 06/108755)

Atendimento Online e Presencial na Zona Sul de SP.

Fonte da ilustração: autor desconhecido