Como anda sua saúde mental?

Foi lá na década de 1990 que tive uma revelação, EU NÃO RESPIRAVA! Como assim?

Pois é, a vida de todos dá muitas voltas e, naquele momento, eu completava mais um ciclo deixando um trabalho burocrático e me aventurando na compreensão de como cuidar do meu corpo e do corpo dos outros.

Pois bem, logo na primeira aula, a professora nos deu uma lição de casa: “Durante a próxima semana, quero que vocês prestem atenção em sua respiração!” Como assim prestar atenção na respiração? Eu respiro e pronto! Mas, para minha surpresa, descobri que respirava muito pouco, com longas pausas entre uma inspiração e outra e, mais ainda, com uma inspiração e expiração rápida e superficial.

Foi então que entendi que o jeito como respiro afeta diretamente a qualidade da minha vida e é tão importante quanto ter uma boa alimentação e fazer exercícios regulares.

Mas, respirar não é automático, um ato involuntário?

É, porém aprendi que as emoções afetam o modo como respiro, por exemplo: quando estou muito ansiosa minha respiração fica curta e superficial, ou seja, naquela época percebi o quanto andava ansiosa. Nunca senti um ataque de pânico, mas imagino como deve ser difícil respirar numa crise e o porque aprofundar a respiração é um dos primeiros passos para restabelecer o equilíbrio.

Quem diria que prestar atenção na respiração revelaria tanto sobre mim?

Em geral, se estou com raiva fico ofegante, com medo prendo a respiração, apaixonada suspiro, e foi esse aprendizado que me levou à prática da meditação. Desde os anos 90, todos os dias, tiro um tempo pra mim – paro um pouco, entro em contato comigo, percebo minhas emoções e durante um período me proponho a deixar tudo de lado e simplesmente prestar atenção no ar que entra e sai do meu corpo, em busca de harmonia.

Trilhar o caminho do des-cobrir-se ou revelar-se não é fácil, especialmente se nos voltarmos para o tema de saúde mental. Fico impressionada em ver como saímos correndo pra tratar de uma torção no pé e quanto tempo demoramos para tomar uma atitude quando o sofrimento vem da saúde mental, noto meses e anos. Ainda há um preconceito bastante presente em nossa sociedade. Em nossa história alguém doente mentalmente era chamado de louco, vivia separado das pessoas, enclausurado e percebido como aquele que não compartilha da “mesma realidade” que os demais, relacionado ao mal, ao descontrole e ao diferente. A maioria de nós tem dificuldade em reconhecer que é uma doença, justamente pelo julgamento de ser reconhecido como aquele que tem doenças mentais e que será visto como fraco e descontrolado.

Aí, vivemos o ano de 2020, quando não tivemos muitas opções, fomos forçados a mudar a rotina, a sair do automático, como você está respondendo a isso, já parou pra prestar atenção?

Como você percebe sua respiração? E suas emoções?

Tem sido um aprendizado ou dor? Apego ou entrega?

Fale sobre o que você está sentindo e se precisar procure ajuda.

Você merece esse cuidado!

Um abraço, Egle.