Caminhar e o jeito de ser

Eu gosto de caminhar!  Ao mesmo tempo acho esquisito separar um tempo de meu dia pra realizar tal tarefa. Já pensou nisso?

Dizem os estudiosos que são os tempos modernos nas cidades grandes, onde a tecnologia dispensa certos afazeres que requisitam o corpo e nos ocupa com o manuseio de equipamentos, mas para não nos debilitarmos fisicamente é preciso se exercitar. Estranho, né?
Voltemos ao que interessa, gosto de caminhar, especialmente na pista de caminhada do Jardim Marajoara. O melhor é que por ser moradora do bairro não tenho que andar muito pra chegar lá. Deu pra perceber que gosto de caminhar, mas não sou fanática?

A pista, uma calçada verde, como é chamada pelo pessoal, maravilha quem caminha com sua vegetação de diferentes formatos, coloridos e perfumes. Uma vez percebi que o termômetro do meu carro desceu dois graus centígrados desde o Morumbi até aqui, com certeza por causa do verde.

Quando caminho vejo que, como a vegetação, cada um de nós tem um jeito peculiar de caminhar; alguns tem um olhar direto e um sorriso nos lábios, quando cruzam com você soltam logo um bom dia ou boa tarde; cruzo também com aqueles em que o olhar é duro, direto não dá pra fazer contato visual e nem pra cumprimentar; há quem goste de caminhar com seu animalzinho, que invariavelmente leva a um bate papo com algum amante desses bichinhos ou aqueles que colocam o fone de ouvido e se divertem cantando enquanto caminham transportados para outros lugares nas letras das  músicas.  

Passo rápido, passo curto, passo lento não pense que estou julgando, só descrevo o que vejo e aproveito para refletir sobre como somos iguais, mas tão diferentes ao mesmo tempo e me pergunto: será que nos damos conta do modo como experiênciamos o nosso viver? Será que de vez enquanto paramos pra ver como estamos fazendo as coisas?  Se a vida vai bem ou estou sofrendo, será que meu modo de ser tem algo a ver com isso?

Um notável filósofo alemão disse, com outras palavras, é claro! Que aquilo que está debaixo de nosso nariz a gente não vê e mais ainda, que estamos constantemente em fuga do nosso modo de ser. Ele completa dizendo que com a possibilidade de nos abrirmos para o questionamento do modo como fazemos as coisas podemos revelar a nós mesmos aquilo que é, mas não vemos. E assim, com esse entendimento, ganhamos maior liberdade para agir no dia a dia, pois novas escolhas podem aparecer.

Parece difícil, mas impossível?

Então, fica o convite!

Egle Gatta
Texto publicado no Jornal da sociedade Amigos de Bairro do Jardim Marajoara – SAJAMA, do mês de março de 2014.